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Estava tranquilamente em casa, a pensar se havia de engraxar os sapatos ou depilar as pernas quando tocou a campaínha. Abro a porta e está um homem, quarenta e muitos, sorridente, que me diz que tem revelações urgentes sobre deus para me transmitir…

Antes de começar, disse eu, deixe-me informá-lo que sou ateu. Ele perguntou que tipo de ateu era eu, se daqueles que não acreditam em deus ou daqueles que deixaram de acreditar. Vocês conhecem-me, sou franco e directo… não tive coragem para lhe mentir e despejei a verdade como quem vomita, agarrado à sanita, depois de estar toda a noite a beber meio shot de tequila: sou ateu desde pequenino, sempre fui ateu, sou tão ateu que até chateio.

Aproveitei o breve momento de perplexidade do meu interlocutor para lhe fechar a porta na cara. Ele ainda protestou mas já não havia nada a fazer, a porta estava fechada.

E é agora que o leitor mais perspicaz se está a inquirir… mas isto não é a secção do correio do leitor? Mas que raio está aqui a fazer esta história? O que é que, por muito interessante que seja, tem a ver com o correio do leitor?

Tem muito!

O senhor, testemunha de Jeová de condição, que me apareceu à porta não desistiu e, talvez com esperança que me pudesse converter, enviou-me uma carta que passo a reproduzir.

jeova

Exmo. Senhor,

Tomei a liberdade de lhe escrever porque quando o visitei identificou-se como Ateu, mas não lhe consegui falar pessoalmente sobre o assunto e tenho informações importantes a transmitir-lhe.

Sei que o ateísmo pode envolver tanto a rejeição da existência de Deus como da sua autoridade, ou de ambas. Mas pense no seguinte: quando vemos uma máquina fotográfica, um rádio ou um computador, entendemos logo que foram produzidos por projectistas inteligentes. Seria então razoável dizer que coisas muito mais complexas – o olho, o ouvido e o cérebro humano – não se originaram de um Projectista inteligente?

(…)

Gostaria de pode falar-lhe pessoalmente, junto com a minha esposa, no dia e hora que nos indicar, e responder-lhe a duas perguntas que os ateus normalmente colocam, ou a outras que deseje colocar: será que Deus teve começo? Será que a existência do mal e do sofrimento prova que Deus não existe? Sinta-se à vontade para nos escrever… etc. etc. etc..

João. Lisboa

Como não quero que a sua amável carta fique sem resposta, vou responder aqui e fazer pública a minha opinião sobre esse dossier.

Em relação ao argumento do projectista inteligente: concordo parcialmente. Ao ver uma obra de arte ou uma obra de engenharia não posso deixar de admirar o génio e a inventividade do seu criador. Mas, também tenho noção que houve, antes do aparecimento do homem moderno, várias outras  espécies hominídeas como o homem de neaderthal. Portanto isso leva-me a pensar que se o tal projectista que refere na carta criou o homem moderno, também criou as outras espécies que o antecederam, e se acabou com essas espécies é porque estavam mal feitas, imperfeitas, erradas. Logo o criador errou, e como o erro é próprio do homem sou forçado a concluir que deus não existe.

Quanto às perguntas que atribui aos ateus, sendo a primeira: Será que deus teve começo? É claro que sim! Deus é um conceito, como tal, teve que ter um começo… assim como a economia ou a dialéctica ou a política ou o radicalismo religioso, tudo conceitos criados pelo homem que foram sendo aperfeiçoados por outros homens e que continuam constantemente a ser melhorados, denegridos, apoiados ou refutados.

Em relação à segunda pergunta: Será que o a existência do mal e do sofrimento prova que deus não existe? Não, a existência do mal e do sofrimento não provam que deus não existe, só provam que o homem existe… porque a origem do sofrimento está no homem não em deus, exceptuando claro, quando o sofrimento é causado em nome de deus.

Se conseguiu ler até aqui, parabéns, é o meu herói. Peço desculpa pela extensão do post e pelo tempo que perdeu para ler isto… agora com a sua licença, vou acabar de depilar as pernas.

Dr. Mandrulho,

Porquê essa fixação na mutilação genital?
Pedro M. Santarém

 

Meu caro Pedro, porque a mutilação genital é divertida. Principalmente quando acontece aos homens. Ninguém se ri quando acontece às mulheres, veja-se o caso das mulheres magrebinas. Mas quando acontece aos homens - e felizmente, costuma ser com frequência - é garantia de galhofa e paródia para vários dias.

Será porque os homens são umas bestas arrogantes eternamente maravilhadas com os seus zizis? Será porque o Falo é  considerado um símbolo de poder? Neste caso já nem sequer há motivo, o poder é cada vez menos masculino, relembro que grande parte dos órgãos intermédios de decisão já estão na mão das mulheres, que há mais mulheres no ensino superior etc. etc.

Ainda por cima, com a constante evolução das técnicas de fecundação, receio que, dentro de umas dezenas de anos (talvez centenas) - e atendendo a que os trabalhos mais pesados são feitos por máquinas e que as guerras são cada vez mais tecnológicas – o homem possa perder toda a sua utilidade ficando irremediavelmente obsoleto.

Virá o dia em que o homem seja relegado para o papel de simples brinquedo sexual que algumas mulheres poderosas irão esconder nas suas caves com um sentimento misto de vergonha e transgressão?… espero bem que sim!

Dr. Mandrulho,

No seguimento das postas que tem largado, aqui no estabelecimento, acerca de bebedeiras e ressacas, venho pedir a sua opinião nesta matéria. Começo por apresentar-me: o meu nome é Carlos Distil e sou um curioso nestas andanças. Não tenho grande interesse na parte da ressaca mas, lá está, tenho algum interesse na área da bebedeira e - que remédio?! - aceito a ressaca como um produto derivado que não pode ser evitado. Li com muita atenção a receita inglesa para a cura da dita ressaca e gostava de saber se tem aí na manga mais alguma receita.
Carlos Distil, Évora

 

Caro Carlos,

Confesso que o meu interesse nessa temática é marginal mas posso avançar que comigo sempre funcionou a sopa quente… Aconchega o estômago, repõe os líquidos e regula o trânsito… a parte dos aminoácidos não sei mas também é uma questão de colocar o bacon (toucinho, em português) na sopa.

Aproveito ainda esta oportunidade para pedir aos nossos (4) leitores para partilharem as suas receitas acerca desta matéria.

Dr. Mandrulho,

Tenho um pequeno problema ao nível da flatulência que se manifesta ocasionalmente. Ainda há dias estava numa festa e tive que me contrair durante duas horas antes de me poder soltar. Alguma sugestão?
A. Matos. Benfica 

 

Quando nos encontramos numa situação social e sentimos que temos um kilo de ar para expelir mas, como ainda não expulsámos nenhum ar nesse dia, não sabemos qual é o teor do material armazenado… será uma inócua e até agradável brisa de verão ou, por outro lado, uma bomba química capaz de fazer desmaiar a cor dos azulejos?

Nestes casos, recomendo o recurso ao peido-teste. É aquela porção de ar (10 a 20%) que se deixa sair e se analisa para tomar uma decisão ponderada quanto ao destino a dar aos outros 80 a 90%. Mas é preciso usar de cautela, o autocontrolo e perfeito domínio dos músculos do esfíncter é uma arte que se desenvolve com o tempo, esta prática não é aconselhada aos novatos pois qualquer deslize ou excesso de confiança pode originar um incidente diplomático.

o ménage atroz, um blogue sempre apostado em marcar a diferença, abriu uma secção de correio do leitor, onde os nossos especialistas, respondem às questões colocadas. Para esta primeira rubrica, seleccionámos a carta de uma leitora de Oeiras:

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Dr. Mandrulho,

No outro dia, saí para o trabalho e deixei o meu marido, em casa, a ver televisão.
Não tinha feito mais de 200 metros quando o carro parou, avariado. Voltei a pé para casa para pedir ajuda ao meu marido e encontrei-o no nosso quarto… nem queria acreditar, estava a pavonear-se em frente ao espelho, vestido com lingerie, maquilhado e de sapatos altos.

Quando o confrontei ele começou por dizer que já não tinha roupa interior e então que vestiu a minha. Mas quando lhe falei na maquilhagem ele admitiu que havia mais de 1 ano que andava sempre com roupa interior feminina. Disse-lhe que isto tinha que acabar ou então deixáva-o.

Amo-o muito, mas desde que lhe fiz o ultimato anda cada vez mais distante e tenho a sensação que a nossa relação nunca mais será recuperada. O que me aconselha a fazer?
Júlia C. Oeiras

 

Cara Júlia, deixe-me começar por felicitá-la pela pertinência da sua pergunta pois, acredite, é um problema muito comum e a grande maioria das pessoas não sabe lidar com ele.

Quando um carro pára, assim sem motivo aparente, pode ter várias origens: comece por verificar se tem combustível, ou que o indicador de combustível não está avariado. Depois, abra o capot e verifique as velas. Se nenhum destes procedimentos resolver o problema, a origem pode estar ao nível da bomba injectora, que não está a fazer chegar combustível suficiente à câmara de combustão.

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